domingo, 8 de julho de 2012

Chega de não


Está na hora de se permitir, se deixar levar. Vamos correr riscos, pular no abismo e comer manga com leite. Sim, vamos nos atirar! Sei que estava receosa, mas você me impulsiona. Sabe aquela vontade de cantar na frente de casa uma música do Reginaldo Rossi, com pessoas estranhas passando e te achando a maior louca-varrida-do-bairro? Tá bom, isso é mais minha cara do que sua. A questão é que você me passa uma segurança que não sei explicar. Gosto de me passar por ridícula (de um jeito engraçado) quando estou perto de ti. Gosto quando você fala coisas engraçadas só pra eu ouvir, e isso me arranca risos soltos. Até teu jeito desajeitado me encanta. A questão é que eu cansei de dizer não. E agora eu torço pelos seus acertos, ou alguns erros bobos. Eu tô aqui, tá bom?
E já sinto saudade.

domingo, 4 de março de 2012

Resoluções de Fevereiro


Há muito tempo, muito tempo mesmo, eu falo sobre mudanças. Mudanças em tudo. Mudança na minha alimentação, no meu modo de agir, na minha carreira e, sobretudo, na minha vida. O mês de Fevereiro foi repleto de mudanças. Algumas, no início, foram um tanto cruéis, mas depois eu entendi que aquilo era pouco comparado ao que podia acontecer se demorasse mais ainda. Outras já foram completamente satisfatórias. Contudo, posso afirmar que mudei muito em apenas um mês, e mudei para MELHOR.
Já estamos em Março e falta pouco mais de 30 dias (leia-se 5 de Abril) para eu completar 20 anos. Estou animadíssima! Engraçado, pois nunca fiquei empolgada com meu aniversário, sempre gostei de comemorar os aniversários dos meus amigos, mas o meu... Comer um hot-dog no dia já me deixava muito feliz. Enfim, acredito que essa mudança toda me afetou a gostar mais do meu aniversário. Que bom, me amar mais um pouquinho não fará mal a ninguém. Vou contar algumas coisas singulares que aconteceram em Fevereiro:
 Sonhei com meu avô, e isso dificilmente acontece. Interpretei o sonho ao modo João Bidu, e descobri que sempre que sonho com ele algo de bom me acontece. E eu me sinto mais protegida, também.
 Meu amigo da faculdade, John Clay, indicou-me para o jornal impresso que ele trabalha. Resultado: conversei com o dono do jornal e fui contratada. Atualmente, sou Repórter/Estagiária no Tribuna Amapaense. Tenho certeza que vou aprender muito e conseguir muitas oportunidades. Estou a menos de duas semanas e já possuo publicações. Estou muito feliz.
 Fui ver a Banda passar no carnaval, e fantasiei-me de bailarina. Foi muito divertido! (sei que isso é uma mudança razoável, mas foi a primeira vez que fiz algo do tipo).
 Conheci um dos jornalistas que eu mais admiro nessa profissão. Além de ser inteligente, extremamente simpático, e lindo (tenho que mencionar que ele é LINDO), foi algo que eu não esperava que acontecesse. Fiquei muito emocionada! Tadeu Schimdt esteja sempre à vontade para visitar Macapá. Foi maravilhoso falar com você!
 Recebi meu primeiro ordenado e fui fazer umas compras com o dinheiro que eu conquistei. Ninguém me deu, trabalhei por ele. Nossa, é uma sensação tão boa, um pouco inexplicável. Não sei, acho que estou orgulhosa de mim (risos).
 Essas foram as resoluções mais importantes de Fevereiro. Podem parecer poucas, mas fizeram muito bem a mim. Tenho metas a cumprir em Março, também. Não quero agarrar o mundo com os braços, possa que ele seja muito pesado e, inevitavelmente, desequilibro-me e caio, batendo o cóccix, isso pode me deixar paraplégica, não é? Não sobrecarregarei meus ombros, tenho bastante força, mas não vou abusar. Caminharei com calma, alterando passos lentos e rápidos. O mundo não está em minhas mãos, mas eu estou nas mãos do mundo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Adios, muchacho!


                    
            E lá se foram os últimos retalhos de amor... Sim, eu tive que jogar tudo fora! Peguei fotos, textos, presentes e qualquer coisa que lembrasse o que restava de nós. Não, não fui imatura. Não, não fui desmiolada. Não, não fui apressada. Apenas percebi que tudo que mantínhamos era uma farsa, uma cilada – direcionada a mim. E não quis ficar com lembranças disso.
            Antes de apagar tudo, olhei cada coisinha, cada detalhe, li cada estrofe. Ironicamente, percebi que toda a encenação estava muito perto de mim, estava no meu computador. Juntei os cacos, pus os nomes aos bois e TCHARAN, lá estava toda a parafernália.
            Minha primeira reação foi me xingar, punir-me por ser basicamente conivente com a situação. Depois, minutos depois, pensei melhor: ”Por que diabos eu estou brigando comigo? Será que intimamente eu queria fazer mal a mim? Claro que não! Eu, antes de qualquer pessoa, me amo incondicionalmente. Jamais gostaria de ser trapaceada. Deixa de pensar besteira, manézona!”. E soltei um sorriso discreto, bobo.
            É injusto passar por situações constrangedoras que você nem procura, nem gosta de estar perto. Só que se for parar para analisar direito, perceberá que é um maldito círculo vicioso. As pessoas vão se envolvendo e acabam puxando outras que não tem nada a ver com a relação, e essas que foram fisgadas acabam puxando outras, e assim por diante... Mas isso é uma questão de caráter e bom senso, se inevitavelmente você foi fisgado, pode dar um basta, se quiser, é claro. Eu dei o meu.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Que lindo que é sonhar


            Quando se é pequeno, não sei por qual motivo, há uma ingenuidade de acreditar que se você pensar direitinho, planejar meticulosamente seu sonho antes de dormir, ele acontecerá naquela noite. Pode ser porque às vezes ele mostra coisas que você fez no seu dia, que seu cérebro ainda está ativo naquele pensamento, e você acaba sonhando. Então, eis a estratégia “milenar” que o faz pensar que comanda seus sonhos, ou seus pesadelos, quem sabe?
            No entanto, após você crescer e prestar o mínino de atenção nas aulas de biologia – chato, mas precisa prestar -, confirmará que foi enganado durante muito tempo, que aquela história de pensar no sonho é pura bobagem. E você fica chateado, mas supera numa boa, sem traumas (pelo menos pra mim não teve problema).
            Antigamente, eu tinha o hábito de rezar e pensar nos meus sonhos antes de dormir. Hoje, rezo esporadicamente (tudo bem, Deus não me ama menos por isso), e nunca mais pensei no que sonhar. Tanto faz se eram sonhos ou pesadelos, tinha outras coisas melhores para gastar meu tempo. Perdi esse hábito há muito tempo, há anos...
            Recentemente, numa noite linda, em que eu não planejara nada para sonhar, tive o sonho mais belo do mundo. Eu estava na casa em que passei boa parte da minha infância, na casa da minha tia, que fica em Belém - PA. E permaneci com a mesma idade que tenho agora, mas a casa ainda tinha o mesmo formato da época em que vivia nela, e o mais importante: ainda tinha uma pessoa que morava lá.
            Ele estava no sofá, e quando o vi fiquei emocionada. Lembro que disparei em direção a ele para abraçá-lo, beijá-lo e dizer repetidamente: “Eu te amo! Eu te amo muito!”. Ele sorria e retribuía meu carinho, dizendo assim: “Eu também te amo muito! Amo você e sua mãe!”. Eu não me contentava de tanta alegria, estava completamente estonteante. Até que ele me pediu licença, e disse que iria a barbearia cortar seus cabelos grisalhos. Eu o deixei ir, infelizmente. No final do sonho, eu estava com minhas malas prontas para voltar à Macapá, e esperava ansiosamente que ele voltasse da barbearia para que eu pudesse me despedir. Ele não chegava. No fundo do meu coração eu senti que não iria mais vê-lo, então resolvi esperá-lo, mesmo que isso custasse a perda do meu vôo. Sentei no sofá e esperei, esperei... Num determinado momento, ouvi um estrondo que não vinha daquela sala. Acordei espantada! Uma pessoa aqui em minha casa fez um barulho grande, sem querer, que me despertou. Quando vi que aquilo não era realidade, fiquei muito triste, muito chateada por não ter conseguido me despedir. Depois, eu pensei: “Será que eu conseguiria dizer adeus?”.
            Contei o sonho para minha mãe, ela ficou muito feliz! Eu passei boa parte do meu dia pensando em como seria se ele estivesse comigo durante todo esse tempo. O quanto ele ficaria orgulhoso em saber que passei no vestibular, que estou seguindo meus estudos. E pensei no futuro, também. O quanto ele ficaria feliz ao comemorar comigo meu primeiro emprego, meu casamento, meu filho (seu bisneto favorito, quem disse que não?). Sei que ele não conseguiria dar umas porradas nos homens que me passaram a perna, mas contratar um assassino de aluguel com certeza passaria pela sua cabeça. Por que não?
            Ri. Chorei. Ri novamente. Chorei de saudade. Esse foi, sem dúvida, o melhor sonho que poderia acontecer e que eu jamais imaginaria. Repito mais uma vez, vovô: “Eu te amo! Eu te amo muito!”.

“Que lindo que é sonhar
Sonhar não custa nada
Sonhar e nada mais
De olhos bem abertos
Que lindo que é sonhar
E não te custa nada mais que tempo...”
(À noite sonhei contigo – Paula Toller).

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Eu não resisto


            Pare de me olhar assim, com este jeito tão gostoso, que me tira as roupas, sem prévia autorização.
            Isso não me ajuda a resistir a você.
             A cada dia lhe quero mais e mais, e minha sede não tem fim...  Preciso aprender a me conter, pois minha vontade maior é deliciar-me com você a todo instante: mordiscando todas as partes do seu corpo, provando seu sabor, deslizando-me em seu suor e ouvindo seus gemidos instigantes.
            Deixe-me fazer de você meu amante, meu delírio, meu sexo. Podemos nos entrelaçar e dançar qualquer música, de ritmo lento ao acelerado, conforme nossa sincronia e desejo mútuo. Só te peço uma coisa: não pare. Vamos atingir o apogeu, e vibrar com nosso gozo. Seremos sensação e sentido, voz e palavra, pele e essência.
            Mas, se não estiver disposto a passar por tudo isso, pare de me olhar desse jeito, pois como já disse: eu não resisto.


domingo, 10 de julho de 2011

Uma tarde, uma conversa


- Sabe o que pensam de ti?
- O quê?
- Que quando tu gostas de alguém, realmente é pra valer! É muito intenso teu sentimento e tu te entregas à essa paixão muito fácil. No entanto, a partir do momento que acaba, perde vigor, tu consegues sair facilmente e seguir em frente, partir para outra.
- Sério? Será que pensam assim porque é verdade mesmo?! – Dou um sorriso malicioso.
- É! Poxa... Eu queria ser assim também...
- Não pense que isso é alguma vantagem para mim! Na maioria das vezes, saio de coração quebrado, e juntar os cacos é um tanto difícil, mas é algo que eu preciso fazer urgentemente. Na verdade, essa imagem é uma cilada, pois não é tão fácil assim como pensam não é fácil para ninguém.

domingo, 3 de julho de 2011

Na pracinha com Miguel


Não que eu esteja reclamando, até me divirto, há pouco tempo vivi uma situação engraçada, no entanto, deixou-me com um tanto de ciúme. E o causador desse sentimento não é outra pessoa: Miguel.
            De uns tempos para cá, ando percebendo mudanças benevolentes no corpo do meu amor: suas pernas estão mais grossas, seus cabelos negros estão muito sedosos, o verão chegou e o sol proporcionou uma tonalidade perfeita na sua pele; e o seu peitoral é ótimo para eu deitar, ficarmos cheio de aconchegos. Até aqui, problema nenhum.
            Tudo começou quando fomos caminhar na praça, o dia estava nublado e as brisas convidavam o corpo para sair, e nos deparamos com várias pessoas que tiveram a mesma idéia que nós tivemos. Eu estava com uma roupa de ginástica normal, bonita, mas não estava combinando os trajes, e Miguel estava de short preto, camiseta branca e seu tênis de corrida preto (todo manequim de loja). Foi aí que uma garota que vinha na direção oposta olhou para ele como se fosse o último copo de água no deserto, a maçã do paraíso, e nem teve a discrição de disfarçar! E eu, esperei ela passar e brinquei alfinetando:
- Olha só, Miguel, a menina queria te possuir!
- Pois é, amor! Como tu não fazes nada?! Não briga com ela?! Não protege o teu território?! Vai que ela me seqüestra...
- Hã? Como é?! – comecei a rir.
- Isso mesmo, amor! Você viu que ela passou toda mal intencionada para o meu lado, e não fez nada. Reage, mulher! Mostra o teu lado perdigueira!
Não aguentei, comecei a ter uma crise incontrolável de riso daquelas que dói o abdômen, e tivemos que parar num banquinho para eu descansar. Quando me recompus, voltei a falar:
- Miguelito, tu pensas que eu não reparo que tu te arrumas tanto justamente para atrair esses olhares mal intencionados?
- Eu? Que nada, amor! Não me importo com os olhares de outrem. Eu desejo conquistar o teu olhar avassalador, isso sim! – disse com aquele sorriso cínico no rosto.
- Sei, sei... Cansei de caminhar e dessas garotas que te querem. Vamos tomar sorvete?
- Bora!
            E fomos para a sorveteria, fizemos nosso pedido de sempre e, enquanto esperava o rapaz colocar os sorvetes nas casquinhas, eu fiquei observando o quão lindo é o meu amor. Entendo aquele olhar de desejo daquela garota, por uma simples razão: não há como olhar para Miguel e não o querer.